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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A perspectiva da grama – Conto

Um borrão vermelho tomou conta dos seus olhos. Uma dor aguda atravessou sua cabeça, indo da nuca até a testa. O que pode ser isso? Ele pensou. Respingos gelados batem no seu rosto, como se fossem pequenos tapas. “Alguém está querendo me acordar” – ele voltou a pensar. Ele abre os olhos. A imagem lhe aparece embaçada. A luz do sol ofusca e os pingos d’água dificultam ainda mais manter os olhos abertos. Ele cobre os olhos com as mãos e ergue a cabeça com alguma dificuldade. “Cadê o meu quarto, a minha cama?” Filetes de grama cutucam o seu ouvido. Aos poucos o borrão vai tomando forma e ele percebe que está caído num jardim. Ele ergue o corpo e apoia nos cotovelos. Ah! Agora sim. Os respingos continuam. Gelados. Ele olha em volta. Uma mulher o observa com ar surpreso. Em suas mãos, uma mangueira continua despejando água. Então era isso?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Noites de espera

Curvo o meu corpo, tapo os ouvidos e espero pela explosão. Toda minha vida foi modificada, alimentada, preparada para este momento. Embora a noite esteja calma, morna, eu sei que aquela hora se aproxima. Esperei muito tempo por isso. Em volta só percebo o silêncio. Ainda assim, meus joelhos tremem.